CARTA AO 1º MINISTRO

Meu caro 1º ministro,
Depois de muito ter refletido (o equivalente a um conselho de ministros), venho por este meio informá-lo que tenho sofrido imensas pressões por parte da troika (por troika entende-se a minha família), que exige que eu dê o melhor de mim, organize as minhas finanças sem que o peso da balança penda para o défice, mantenha as regalias que consideram essenciais à sua sobrevivência e bem-estar. Resumidamente, querem esfolar-me!
   Como deve compreender, há sacrifícios que têm que ser feitos, despesas que devem ser contidas e mudanças, quiçá radicais, a implementar ao meu modo de vida. Não tenho dinheiro. Há alguma parte do “não tenho dinheiro” que não esteja a perceber? Presumo que não. Partindo do princípio democrático de que o estado, e os seus governantes eleitos pelo povo, devem estar ao serviço deste, e sendo que o senhor é a batuta que comanda a orquestra, ainda que desafinada, venho, por este meio, solicitar a sua colaboração para me ajudar a ultrapassar os problemas financeiros que me assolam o bem-estar.
  Agradeço que desde já me pague um subsídio de deslocação, tendo em conta os quilómetros que faço diariamente para o meu local de trabalho, visto que me vi obrigada a concorrer para uma escola que não a minha, já que o meu lugar foi ocupado por alguém que está muitos lugares atrás de mim na lista graduada de docentes mas que, pelas suas contas, pode ficar lá perto de casa e eu é que tenho que me deslocar. Sei que a dificuldade está em saber de onde retirar a verba para sanar o problema. Sugiro que partilhe comigo o que recebe de ajudas de custo sempre que vai em visitas oficiais. Não se amofine, estamos em igualdade de circunstâncias. O senhor aplicou-me um corte no ordenado, eu saco-lhe uma fatia em deslocações, é tudo em serviço oficial.
  Mais agradeço que me deixe pagar as despesas de saúde que tenho pendentes, em duodécimos. É uma forma mais suave de fazer o pagamento, sem me desequilibrar as contas. Caso eu venha a saber que vou ser obrigada a pagar IRS, deixo desde já escrito que esses duodécimos serão para o IRS e que o pagamento das despesas de saúde só será efetuado em Novembro. Ainda não sei muito bem como, mas estou a estudar o assunto e logo se verá. Penso que percebeu a mecânica da coisa, é tal e qual o que o senhor anda a fazer com os subsídios de férias e de Natal, não há que enganar.
  Este tipo de decisões, como o senhor sabe, exigem um processo de reflexão profundo, de tempo e firmeza para posteriormente aplicar as medidas que daí advêm. Por esse motivo, fico, de momento, por aqui, na certeza de que muito em breve ouvirá falar de mim novamente, para novo acordo. Sem mais assunto, por hora,

Alex

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2 respostas a CARTA AO 1º MINISTRO

  1. Então para quando o novo acordo?

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