NOVA TERMINOLOGIA LINGUÍSTICA PARA O ENSINO BÁSICO

TLEBS

(Documento para reflexão)

 

            Dando cumprimento à famosa máxima de Pimenta Machado “No futebol, o que é verdade hoje, amanhã é mentira” e que tantas vezes associamos inconscientemente à política portuguesa (mesmo sabendo de antemão que ambas as classes, política e desportiva, nas pessoas dos seus dirigentes, negam veementemente tal relação), um Grupo de Iluminados Anónimos foi nomeado pelo Governo para rever a TLEBS, uma vez que a sua implementação/imposição estava a criar atritos e a impedir a, já de si lenta e emperrada, engrenagem da Educação, de continuar a trucidar os alunos desde tenra idade.

            Verificou-se, pois atempadamente a meio do ano lectivo, que a TLEBS, ao invés de levar os alunos a verbalizar erradamente os termos gramaticais, os deixava mudos, estáticos, sem palavras, incapazes de pronunciar uma sílaba que fosse.

            Os professores calaram-se. Mais uma vez, limitaram-se a cumprir as ordens superiores sem abrir o bico. Mas, eis senão quando, tudo foi descoberto pelos CAE, que como todos sabemos não existem, segundo a lei e, por isso, não vêem, não ouvem, nem vão meter tudo no cu dos coordenadores das respectivas DRES.

            Se os alunos não falavam, os professores não podiam ensiná-los, certo? Toda a gente sabe que um aluno que não fala é NEE (NEE significa Não Existo pró Estado). Ora, tendo em conta o reduzido número de professores de apoio que existem actualmente e a categorização nacional de NEE em que estes se inserem, afinal não há alunos NEE e eu acabei de perder tempo com um assunto que não existe.

            Na senda desta lógica, somos Todos Diferentes/Todos Iguais, mas caladinhos que nem ratos. Agora, imaginem essa afanada classe trabalhadora (nós professores) a tentar ensinar aos meninos a TLEBS:

            “Atenção meninos, quem me dá um exemplo de uma oração subordinada adjectiva relativa com antecedente explicativa?… Então?!… Vá lá, toca a puxar pela cabeça!…”

… e a canalha… moita! Nem ai, nem ui.

Ora, não pode ser. Se respondessem mal, o professor teria hipótese de pôr à prova as suas capacidades e aplicar as várias vertentes da pedagogia aplicada e da psicologia infantil, nomeadamente, o puxão de orelhas, o tabefe, a solha, a bofetada…, à excepção da reguada, pois além de terem retirado das salas de aula os crucifixos de boa madeira de pau-preto e multi-funcionais, há uma nova mania de defender o ambiente, poupar as árvores e etc, e que faz com que as actuais réguas de plástico, além de terem passado para as mãos erradas (as dos alunos), sejam uma merda e se partam à primeira bordoada.

E se os alunos não falam, o trabalho dos professores não rende. Os Encarregados de Educação também não colaboram com a escola, nem ajudam os filhos em casa, o sistema educativo está um caos e, de quem é a culpa? Dos professores, claro. Mesmo apesar de serem os únicos que conseguem, (para além dos autores), e a muito custo, declamar de cor partes da TLEBS com um sorriso prometedor nos lábios, a tentar convencer o auditório a cair no logro.

Estou um pouco confusa, estamos a falar de políticos?!

OK. Recapitulando. Por estas e por outras, o governo mandou rever a TLEBS e ordenou ao tal grupo de anónimos que adequassem a Terminologia Linguística ao actual contexto da Língua Portuguesa.

Uma vez que o texto em questão está ainda em elaboração e está em segredo de justiça, não me foi possível consultá-lo abertamente, pelo que foi necessário subornar um dos membros dos Da Weasel e outro dos Boss AC, que fazem parte da tal comissão anónima, para conseguir obter o pequeno extracto que se segue:

O Nome/Substantivo, passa a chamar-se TAG. Dentro desta classe, podemos distinguir o mesmo número de subclasses: Próprios (Betos), Comuns (Dreds) e Colectivos (Tudo à Molhada). Os Substantivos Comuns ou Dred Tags estão divididos em duas categorias: Concretos ou 3D e Abstractos ou Virtuais. Nos Colectivos ou Tudo à Molhada, podemos encontrar a classificação Bué de… em todos os tipos de designação (por ex: bué da moscas, bué da porcos, bué da árves) e também algumas designações específicas do tipo: nigga – gang de origem africana; garina – conjunto de namoradas para satisfação de gostos pessoais (loura, morena, ruiva,…); gay – conjunto de paneleiros a desancar na próxima oportunidade; tuning – conjunto misto de automóveis bem artilhados e gajos de pau curto e cérebro de ervilha; sexo – conjunto de actividades promíscuas realizadas em pares, trios ou grupos, de preferência sem preservativo e com parceiros desconhecidos, habitualmente praticadas pelos Kamikaze, actual designação de adolescente.

O adjectivo, passa a chamar-se Calúnia, assim, quando quisermos descrever o 1º Ministro em privado, mas de porta aberta, podemos caluniá-lo à vontade, sem correr o risco de sermos suspensos das nossas funções. As calúnias (antigos adjectivos) são flexíveis em género, número e grau. Isto é, podemos caluniar no feminino, masculino, singular e plural e ainda de acordo com a gravidade da situação. Por exemplo:

Grau normal: cabrão

Grau comparativo de inferioridade: Professor cabrão

Grau comparativo de igualdade: Trabalhador Privado é tão cabrão como Funcionário Público.

Grau comparativo de Superioridade: Cabrão do Governo.

Grau superlativo relativo de inferioridade: professor em funções na Escola EB… é o menos cabrão.

Grau superlativo relativo de superioridade: professor em funções no ME é o mais cabrão.

Grau Superlativo Absoluto analítico: O político Y é muito cabrão.

Grau Superlativo Absoluto Sintético: O político Y é muitíssimo cabrão, filho desta e daquela…

Determinantes nas suas subclasses:

artigos pessoais – os artigos (que passam a designar-se pessoais) passam a ser conjugados apenas na 1ª pessoas do singular.

 – numerais ordinais – servirão para enumerar, de forma gradativa e ordinária os defeitos dos trabalhadores.

 – numerais cardinais – servirão para enumerar as “cardinas” apanhadas pelos nossos governantes à custa do dinheiro dos contribuintes.

 – possessivos inalienáveis – estes passam a ter apenas duas formas meu e meus.

 – demonstrativos por a+b – esta categoria de demonstrativos aplicar-se-á a todas as pessoas indiscriminadamente, consoante a necessidade de cada um demonstrar por (a+b) a culpabilidade de outra pessoa.

 – indefinidos – aplicar-se-ão a políticos filiados, independentes e membros do governo.

 – interrogativos – ainda não se sabe muito bem, mas crê-se que poderão deixar de existir ou ser aplicados apenas em perguntas de retórica, evitando situações inconvenientes e jornalistas inoportunos.

Os Verbos agrupar-se-ão, não em conjugações, mas em utilizáveis e não utilizáveis. Dentro destas duas grandes categorias, haverá os utilizáveis e não utilizáveis pelos portugueses de pé-de-chinelo e os utilizáveis e não utilizáveis pelos portugueses pé-de-Channel. Dos antigos modos, restarão apenas o modo Condicional, “Eu queria” e o modo Imperativo“Faz ou fodes-te”. Quanto ao número, existirá sempre singular (na subclasse venha a nós) e plural (na subclasse espera-vos a vós). Alguns verbos serão impessoais mas, na sua maioria, dirigidos à 1ª, 2ª ou 3ª pessoa do singular ou plural, sempre que um Presidente da Câmara ou qualquer outra entidade suspeita e sob investigação da PJ se dirija ao povinho.

Pelos exemplos ainda não revelados, mas atrás transcritos, creio que todos escusamos de estar descansados pois, mais uma vez, irá sobrar para nós. Estou convencida que enquanto a nossa classe não conseguir conjugar em uníssono o verbo Querer, haverá sempre uma TLEBS para engolir e não pensem os Srs meus colegas que, por não serem de Línguas, o assunto não lhes diz respeito, sob pena de terem que tomar a mesma dosagem em versão supositório.

E agora pergunto:

Se fizermos a análise sintáctica da frase que se segue, como classificam as várias partes que a compõem?

O governo lixa o povo, como quer e quando quer.

 

O governo – Sujeito (pratica a acção)

lixa o povo como quer e quando quer. – Predicado (no meu tempo predicado era sinónimo de qualidade)

lixa  – forma do verbo foder quando pronunciada por um político.

o povo – eterno enrabado.

como quer – a torto.

quando quer – e a direito.

 

 

                                                                                              X.

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2 respostas a NOVA TERMINOLOGIA LINGUÍSTICA PARA O ENSINO BÁSICO

  1. rui diz:

    finalmente!!. já desesperava por uma das tuas perolas! promete me que vais tentar escrever mais.

  2. Helena diz:

    Ainda a rir….

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